InfluenSer!

Da redação à aplicação: quando a escrita ganha função social 

Por Lídia Camargo

O trabalho com a produção de texto aqui do Colégio Ser! vai muito além da competência linguística. Isso porque a escrita revela a forma como cada um percebe o mundo e o interpreta de acordo com sua subjetividade. Sempre comento com os alunos que, com a banalização da produção de textos feita pelas inteligências artificiais generativas, destacou-se a importância do olhar humano sobre os fenômenos e fatos do mundo.

Assim, seja na esfera ambiental, cultural ou política, a escrita deve revelar mais do que padrões de informações e conclusões já preestabelecidas e acordadas pelo senso comum, sacramentadas pelo politicamente correto e chanceladas pelo viés acadêmico. Longe disso, o texto deve revelar como o indivíduo toma sua própria história, valores, emoções e idiossincrasias para apresentar um olhar único e valioso sobre aquilo a que se dedica a escrever.

Sendo assim, nas aulas de redação, procuramos despertar essa subjetividade e provocar os alunos para que ampliem o horizonte de conhecimento, tornando-a “superpoderosa” e abrangente diante de dilemas em que não cabem posicionamentos simplistas, mas um olhar de alteridade, tolerância e cidadania.

Essa prática se alinha ao que hoje exigem as provas de redação mais desafiadoras, como a da Fuvest, em que o olhar que importa é o desse cidadão em construção, que deve entender e se posicionar sobre problemas que, muitas vezes, não fazem parte de seu universo particular. Todavia, o exercício da cidadania exigido por essas provas permite que nossos alunos reflitam que, para além de seu universo particular, existe um universo coletivo do qual fazem parte e no qual agem e, por isso, precisam saber analisar conforme os valores conquistados ao longo de séculos pela humanidade.

Assim nasceu o texto de nosso querido aluno João Takaes. Nasceu de uma proposta difícil: pensar sobre o medo e suas infinitas formas de construção no imaginário da população brasileira.

O texto dele é cheio dessa subjetividade valiosa, a qual ele foi, ao longo dos anos, construindo, aprimorando e alargando, a ponto de, por si só, perceber como esse texto não cabia somente para um treino de vestibular, mas devia cumprir sua função social de texto: comunicar.

Segundo o próprio aluno, João Takaes “ isso é uma coisa que eu atribuo bastante a escola, a gente foi muito condicionado a se engajar aqui no colégio, principalmente com os itinerários formativos, e é por isso que a gente acaba se inspirando bastante. É uma das coisas que tem muito valor aqui, que é estimular o pensamento e a criticidade”, explica o aluno.

Comunicar seu olhar único com outros que o receberão e, com ele, ampliarão seu próprio olhar, sua própria subjetividade. O texto do João não é mais somente um texto, mas parte dele, que agora se somará à parte de outros que, assim, continuarão a construir esse legado coletivo de conhecimento e impressões humanas, o qual máquina alguma conseguirá substituir. 

Sair da versão mobile