Por Lídia Camargo

A redação de vestibular costuma ser fonte de ansiedade e insegurança para quem sonha em disputar uma vaga nas melhores universidades do país. Nos últimos anos, em razão dos impactos da tecnologia sobre as habilidades de leitura e escrita dos jovens, as provas têm elevado o nível de dificuldade de suas propostas, exigindo sofisticada capacidade de interpretação, apurada compreensão crítica dos fatos e fenômenos do Brasil e do mundo atual, além de excelência na expressão escrita, o que pode intensificar a apreensão dos estudantes na busca por um resultado de excelência.
O equívoco mais comum: escrever para impressionar
É nessa busca pela perfeição que, muitas vezes, ocorre um equívoco comum entre aqueles que desejam alto desempenho: encarar a produção textual como um mosaico de informações sobre determinado tema, costuradas por vocabulário erudito e expressões engessadas. Em outras palavras, passam a perceber a redação como uma tarefa mecânica, cujo resultado seria avaliado pela “riqueza” do repertório e pela “erudição” lexical.
Tal confusão torna a escrita uma prática alienada e distante de sua essência: a capacidade de comunicar, com clareza, opiniões e de explicar, com coerência e embasamento, a trajetória lógica percorrida pelo pensamento até chegar aos posicionamentos defendidos.
O resultado dessa falta de clareza é a insegurança no momento de escrever, pois, como diz o ditado popular, “quando não se sabe onde se quer chegar, qualquer caminho serve”. Assim, muitos estudantes tornam-se vulneráveis a estratégias obscuras, macetes e modelos engessados — amplamente oferecidos no universo digital — por não terem clareza sobre seus próprios objetivos na escrita. Desse modo, qualquer caminho para “acertar” parece válido, já que não há confiança no próprio processo autoral.
Autoria: o verdadeiro diferencial
É muito relevante, portanto, ter consciência do que vem a ser o conceito de autoria, que se trata da capacidade intelectual de articular informações, opiniões, fatos e fenômenos a fim de defender um ponto de vista. Isso significa que, quanto mais criticamente um indivíduo observa os problemas do mundo e quanto maior for seu repertório para compreendê-los, melhor será sua capacidade de formular afirmações consistentes e sustentá-las por meio de raciocínio lógico. A autoria é, portanto, a habilidade de traçar o próprio caminho, pois o ponto de chegada lhe é claro.
Assim, as principais provas de redação, embora possuam critérios específicos de avaliação, buscam analisar se o estudante, no ato da escrita, domina o próprio texto, isto é, se compreende a função de cada informação na construção do projeto previamente estabelecido.
Nesse sentido, um dos maiores desafios da redação vestibular, atualmente, é desenvolver essa segurança e abandonar esquemas engessados ou até mesmo o uso acrítico da inteligência artificial, pois tais práticas configuram tentativas medíocres de substituir a insubstituível capacidade humana de interpretar, planejar e escrever com autonomia.
Preparação: treino, repertório e segurança
Preparar-se para as provas envolve um esforço que mobiliza múltiplas competências: exige treino constante, além de estudo sistemático e reflexivo dos temas e de seus repertórios. Esse processo deve estar, acima de tudo, orientado para a construção da autoria, conquista que depende, sobretudo, de segurança intelectual.
Nos vestibulares de 2026, três alunos do Colégio Ser! conquistaram nota máxima na redação:
Maria Eduarda Brito de Barros – Famerp (20 pontos), Unicamp (12 pontos) e Fuvest (40 pontos).
Pedro Matielli Julio Dias – Fuvest (40 pontos).
Stella Rodrigues Rosseto – USCS (20 pontos).
É esse o foco do curso de redação do Colégio Ser!: formar estudantes seguros, críticos e autorais.